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Tang Prize reconhece pioneiros da imunoterapia celular

Tang Prize reconhece pioneiros da imunoterapia celular

Categoria:Inovação

O Tang Prize de 2026 homenageou três importantes cientistas da oncologia moderna. Steven A. Rosenberg, Michel Sadelain e Carl H. June receberam uma das mais prestigiadas honrarias científicas do mundo por suas contribuições para o desenvolvimento das terapias celulares TIL (Tumor-Infilating Lymphocytes) e CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-Cell).

Além disso, a premiação reforçou a importância crescente dos chamados “medicamentos vivos”, terapias que utilizam células imunológicas modificadas para reconhecer e eliminar células cancerígenas com alta precisão. Como resultado, milhares de pacientes com doenças hematológicas avançadas passaram a ter novas perspectivas de tratamento.

O reconhecimento concedido pelo Tang Prize também evidencia o papel central da imunoterapia na transformação da medicina contemporânea. Hoje, pesquisadores de todo o mundo trabalham para ampliar essas tecnologias e expandir sua aplicação para tumores sólidos e outras doenças complexas.

O que é o Tang Prize?

Criado em Taiwan em 2014, o Tang Prize tornou-se uma das mais respeitadas premiações científicas internacionais. Frequentemente comparado ao Prêmio Nobel, ele reconhece descobertas capazes de gerar impacto duradouro para a humanidade.

Além disso, a premiação contempla áreas estratégicas para o desenvolvimento global, incluindo desenvolvimento sustentável, estado de direito, sinologia e ciências biomédicas.

Ao longo dos anos, diversos laureados receberam posteriormente outras distinções de grande relevância. Por isso, o Tang Prizeé frequentemente visto como um importante indicador das tendências que moldarão o futuro da medicina.

Em 2026, a escolha dos vencedores destacou uma das maiores revoluções da oncologia: a engenharia de células imunológicas para combater o câncer.

Como a imunoterapia celular mudou o tratamento do câncer

Durante décadas, os cientistas enfrentaram um obstáculo significativo. Os tumores possuem mecanismos sofisticados que enfraquecem a resposta imunológica natural do organismo.

Dentro do microambiente tumoral, moléculas imunossupressoras como TGF-β, IL-6 e IL-10 reduzem a atividade dos linfócitos responsáveis pelo combate ao câncer. Além disso, células reguladoras recrutadas pelos tumores ajudam a bloquear a ação das defesas naturais.

Por essa razão, muitos tratamentos tradicionais apresentam limitações diante de tumores avançados.

Entretanto, a imunoterapia celular introduziu uma nova estratégia. Em vez de combater diretamente o tumor com medicamentos convencionais, os pesquisadores passaram a utilizar o próprio sistema imunológico do paciente como ferramenta terapêutica.

Nesse processo, células de defesa são coletadas, modificadas ou ativadas em laboratório e posteriormente reinfundidas no organismo. Como consequência, essas células retornam mais preparadas para localizar e destruir células malignas.

Tang Prize e a evolução da imunoterapia

O Tang Prizede 2026 também representa uma continuidade histórica dentro da própria premiação.

Em sua primeira edição, realizada em 2014, o prêmio reconheceu os cientistas responsáveis pela descoberta dos checkpoints imunológicos CTLA-4 e PD-1. Essas descobertas permitiram o desenvolvimento dos modernos inibidores de checkpoint, atualmente utilizados em diversos tipos de câncer.

No entanto, as terapias celulares avançaram ainda mais.

Enquanto os anticorpos imunoterápicos removem barreiras que limitam a ação dos linfócitos, as terapias CAR-T e TIL transformam essas células em agentes altamente especializados.

Consequentemente, muitos especialistas consideram essas tecnologias a próxima geração da imunoterapia oncológica.

Steven Rosenberg

O surgimento da terapia TIL

Steven A. Rosenberg dedicou grande parte de sua carreira ao estudo da relação entre o sistema imunológico e o câncer.

Nos anos 1980, ele demonstrou que altas doses de interleucina-2 poderiam estimular a expansão de linfócitos T capazes de combater tumores. Essa descoberta abriu caminho para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.

Posteriormente, Rosenberg desenvolveu a terapia TIL, considerada um dos pilares da imunoterapia celular moderna.

O procedimento começa com a retirada de uma pequena amostra tumoral. Em seguida, os pesquisadores isolam os linfócitos infiltrantes presentes naquele tecido.

Após a seleção das células mais ativas, ocorre sua expansão em laboratório. Finalmente, milhões dessas células retornam ao organismo do paciente para atacar o câncer.

Como resultado, diversos pacientes com melanoma metastático apresentaram respostas clínicas duradouras.

Legado para a terapia gênica

Além de suas contribuições clínicas, Rosenberg alcançou um marco regulatório fundamental.

Ele participou das primeiras iniciativas autorizadas para inserção de genes em células humanas. Dessa forma, ajudou a estabelecer as bases para futuras terapias celulares geneticamente modificadas.

Por isso, muitos especialistas o consideram o verdadeiro pai da imunoterapia moderna.

Michel Sadelain

A criação da estrutura moderna das células CAR-T

Michel Sadelain desempenhou papel decisivo no desenvolvimento das terapias CAR-T.

As primeiras versões dos receptores quiméricos apresentavam limitações importantes. Embora fossem capazes de reconhecer células tumorais, sua atividade era frequentemente insuficiente para manter respostas duradouras.

Para solucionar esse problema, Sadelain incorporou o domínio coestimulador CD28 à estrutura dos receptores.

Como consequência, as células passaram a apresentar maior capacidade de proliferação, persistência e atividade antitumoral.

Atualmente, essa arquitetura continua servindo de base para praticamente todas as terapias CAR-T aprovadas pelas principais agências regulatórias do mundo.

A definição do alvo CD19

Outro avanço fundamental foi a identificação da molécula CD19 como alvo terapêutico ideal para neoplasias de células B.

Além disso, estudos pré-clínicos demonstraram que células CAR-T direcionadas contra CD19 poderiam eliminar completamente determinados tipos de leucemia.

Posteriormente, ensaios clínicos confirmaram esses resultados em pacientes com leucemia linfoblástica aguda refratária.

Por isso, a contribuição de Sadelain foi essencial para consolidar a viabilidade clínica da tecnologia CAR-T.

Carl June

Da pesquisa ao tratamento de pacientes

Carl H. June foi responsável por transformar uma tecnologia promissora em uma realidade clínica.

Além disso, ele desenvolveu métodos inovadores para expandir células T em laboratório de forma eficiente e reproduzível.

Essa inovação permitiu aumentar significativamente a escala de produção necessária para atender pacientes em diferentes regiões do mundo.

Consequentemente, as terapias celulares passaram a ter condições reais de alcançar o mercado.

A aprovação da primeira terapia CAR-T

Outro marco importante ocorreu quando June incorporou o domínio coestimulador 4-1BB aos receptores CAR.

Como resultado, as células passaram a sobreviver por mais tempo após a infusão.

Posteriormente, estudos clínicos publicados no New England Journal of Medicine demonstraram respostas extraordinárias em pacientes com leucemia linfocítica crônica e leucemia linfoblástica aguda.

Esses resultados culminaram na aprovação do Kymriah®, primeira terapia CAR-T aprovada pela FDA em 2017.

Tang Prize: o impacto global dos medicamentos vivos

Os resultados obtidos pelas terapias celulares impressionam a comunidade médica mundial.

Desde a aprovação inicial da CAR-T, sete produtos receberam autorização regulatória da FDA.

Além disso, aproximadamente 60 mil pacientes já foram tratados globalmente com essas tecnologias.

Muitos desses indivíduos apresentavam doenças avançadas e resistentes aos tratamentos convencionais. Portanto, as terapias celulares ofereceram novas oportunidades para pacientes que anteriormente possuíam poucas alternativas terapêuticas.

O impacto dessas abordagens continua crescendo à medida que novas indicações clínicas são aprovadas.

A história de Emily Whitehead e o potencial da CAR-T

Entre os casos mais emblemáticos da imunoterapia celular está o de Emily Whitehead.

Diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda aos cinco anos de idade, Emily não respondeu adequadamente aos protocolos convencionais de quimioterapia.

Diante da ausência de alternativas, ela recebeu uma terapia CAR-T experimental desenvolvida pela equipe de Carl June.

Após o tratamento, entrou em remissão completa.

Mais de uma década depois, permanece livre da doença.

Além disso, sua história tornou-se um símbolo internacional do potencial transformador das terapias celulares personalizadas.

Tang Prize e os desafios do futuro

A busca por soluções para tumores sólidos

Apesar dos avanços expressivos nos cânceres hematológicos, os tumores sólidos continuam representando um desafio importante.

O microambiente tumoral dificulta a infiltração e a sobrevivência das células modificadas.

Além disso, diversos fatores imunossupressores reduzem sua eficácia terapêutica.

Por essa razão, pesquisadores desenvolvem novas gerações de receptores CAR capazes de resistir a esses mecanismos de defesa.

Ao mesmo tempo, múltiplos estudos buscam aprimorar o direcionamento das células para os tumores.

A evolução das terapias CAR-NK

Outra frente promissora envolve o desenvolvimento das terapias CAR-NK.

Diferentemente das CAR-T autólogas, essas terapias podem utilizar células provenientes de doadores saudáveis.

Como consequência, existe potencial para produção em larga escala e redução significativa dos custos.

Além disso, as células NK apresentam características biológicas que podem ampliar a segurança dos tratamentos.

Futuro da medicina

O Tang Prize de 2026 reconheceu três pesquisadores responsáveis por transformar conceitos científicos em tratamentos capazes de salvar vidas.

Steven Rosenberg estabeleceu os fundamentos da terapia TIL. Michel Sadelain desenvolveu a arquitetura moderna das células CAR-T. Carl June viabilizou a aplicação clínica em larga escala.

Além disso, seus trabalhos abriram caminhos para novas aplicações em doenças autoimunes, medicina regenerativa e terapias genéticas avançadas.

À medida que a ciência supera desafios relacionados aos tumores sólidos e aos custos de produção, os medicamentos vivos tendem a ocupar posição cada vez mais relevante na prática médica.

Dessa forma, o legado dos homenageados demonstra que a próxima revolução da medicina já está em andamento. E a imunoterapia celular permanece no centro dessa transformação.